Pela primeira vez, a Yuki teve um contato profundo com a natureza.
Ela saltou sobre pedras, caçou lagartixas, bebeu do riacho, cheirou flores e plantas, escutou atenciosamente o cantar dos pássaros, o farfalhar das folhas e o sussurrar do vento.
É sempre bom respirar o ar puro da floresta e estar em sincronia com a mística natural, principalmente ao lado da família.
Fui abordado por um Testemunha de Jeová que utilizou a variedade das frutas e a multiplicação das sementes como argumentos para uma benevolência e existência divina.
Não vejo nesses mecanismos a figura de uma divindade, mas sim a lógica da adaptação.
A biologia explica que a diversidade de frutos é resultado de milênios de seleção artificial e manejo humano, enquanto a abundância de sementes é uma estratégia evolutiva para garantir a propagação das espécies diante das adversidades da natureza.
Embora me fascine ver a interconexão de tudo o que é vivo, essa percepção não me leva necessariamente a uma conclusão teológica.
Chuva de fevereiro
Contemplamos o arco-íris rasgando o céu cinzento e senti, num fôlego intenso, o ar melancólico de um vento frio e súbito.
À luz de velas, o tempo dramatizava o silêncio e convertia a própria ausência em espaço.
Lá fora, as estrelas brilhavam como faróis distantes e gritavam mais alto que os trovões.
Seu abraço sincero e veemente foi um eclipse naquela noite sem luar e hoje é a luz perene que me aquece como o sol de todas as manhãs.